você realmente se ama?


Desde minha infância e mais predominante na minha adolescência, a baixa autoestima, a falta de autoconfiança, a presença de inferioridade fez parte da minha vida, fez parte de mim por muito tempo. Percebendo hoje, lembro daquela alteração do que via de mim existir desde que me conheço por gente. De início eram coisas pequenas, eram detalhes, eram algo grande para uma criança de 4 anos de idade concluir. Fui criada pelo meus avos e meus tios, minha mãe trabalhava fora, e quando descobri que meu pai abandonou minha mãe quando soube da gravidez, eu não me sentia amada, afinal, meu próprio pai não me queria, tinha me abandonado, e chegou um tempo, que comecei a achar que minha mãe também não me amava, não me queria. Eu cresci com esses pensamentos, com essas conclusões, com esses conflitos internos. E daíi as coisas maiores apareceram... na adolescência tudo piorou. 

Não gostava de mim, não gostava nem de me olhar no espelho, com isso iniciei tirando meus cachos seguindo um padrão injusto, achando eu que ter cabelo liso era o correto, era o bonito. Fui muito frustada com os garotos que gostei, porque a maioria deles não gostavam de mim, e o que eu pensava? "Eu sou feia demais pra ele gostar de mim. Sou esquesita, sou estranha. Ele tem vergonha ate de ser visto comigo." Eram tantos pensamentos negativos... Eu achava que ser gorda era um dos piores defeitos, e tentei fazer de tudo pra exterminar esse defeito de mim. Odiava meus lábios, meu dente, minha bochecha, meu nariz, meu corpo, o formato do meu rosto e até minha voz. Eu não conseguia me amar. Eu não me sentia capaz de ser amada por ninguém, achava que nenhum garoto iria me amar de verdade. Me achava a pior pessoa do mundo, a mais chata do universo.

Fui criada na igreja, em um lugar que se contém muita comunicação, muita gente, mas até lá eu me sentia perdida, deslocada por ser muito tímida, por não conversar e nem fazer muitas amizades, eu me sentia inferior a todos, às vezes, nem olhava pras pessoas, desviava o olhar, olhava baixo e nem abria a boca para dar um paz do Senhor para alguém qualquer. Eu ficava quieta, no meu canto, quando brincava era com os amigos de sempre, os da antiga. E me recordo de até no meio desses amigos eu me sentir deslocada, me sentir a que não era amada por eles, a que se desaparecesse ninguém iria se importar. Eu era muito fechada, desconfiada ao extremo. Eu sentia inveja das minhas amigas, inveja do que elas tinham coragem de fazer. Sentia inveja de muitas meninas que eram lindas e eu pensava que nunca iria ser tão linda como elas eram, que nunca iria ter a mesma atenção dos meninos que aquelas meninas tinham. Eu tinha raiva de algumas meninas só porque elas eram lindas. Eu queria ser como as atrizes de novela, eu deseja ser igual, e muitas vezes me frustada por aquele padrão de beleza não ser o meu.

Na escola também era um martirio pra mim, eu me escondia pra não ser vista, as vezes, nem saia pro intervalo. Ficava na minha bolha, só depois que interagia com alguns amigos na sala. Porém, não precisava que ninguém me visse, tinha vergonha do meu corpo, tinha ódio de ser gorda. Evitava sair, pois sempre achava que quando passava por alguém, esse alguém iria rir de mim, do meu corpo feio, que iria pensar alguma coisa negativa sobre isso. Não sair de casa me poupava pensar tudo isso. Tirar fotos minhas eram um sacrifício pra mim. Não gostava da minha imagem, de quem eu era. Já sofria tanto com tanta coisa e não foi o suficiente, pois também sofria o famoso bullying, e muito, já chorei diversas vezes por ter ouvido coisas horríveis, ouvido coisas que as pessoas realmente achavam de mim, e tudo aquilo me afetava tanto que eu vivia angustiada. Aquelas palavras e até ações quebraram meu coração demais naquela época. Todos esses sentimentos mexiam muito comigo, e eu só queria me sentir amada, linda e especial. 

Tudo que passei afetou muito meus relacionamentos, eu sempre sofria o dobro por conta de todo esse conflito. Eu sempre dizia que meu maior defeito era ter insegurança, e realmente. Não me sentia segura de nada. Tinha vergonha de mostrar, de fato, quem era eu, o que, na verdade, eu nem sabia ao certo. Eu não me conhecia.  Resumindo tudo isso, sei que a maioria de vocês que me conhecem, que vêem quem sou hoje, estão se perguntando o que eu fiz pra me curar, quel foi o segredo? E toda essa mágica tem cinco letras. Jesus. 

Nasci no evangelho, e como muitos como eu, em algum momento deve ter tido muitos questionamentos, dúvidas de quem era esse Jesus que tanto é falado. Eu só o conhecia por ouvir falar. E chegou um momento da minha vida que duvidei que Ele existia, que Ele me amava, que se importava comigo. Me perguntava muito qual era meu propósito aqui nessa terra, e o porque dEle ter parado aquele processo de aberto só pra me salvar. Não entendia o porquê dEle ter feito inúmeras coisas impossíveis pra me deixar sã e salva. Nessa fase eu era tão rebelde, machucava muitas pessoas que se importavam de verdade comigo, eu era feia realmente, não só por dentro, como achava, no entanto, por dentro também. Mas chegou um tempo que eu não aguentava mais ser quem eu era, não aguentava mais viver aquele teatro, ter tanta dor e revolta no coração. 

Sempre amei escrever, falar nunca foi muito meu forte. E como vergonha de quem eu era, meu escape eram as palavras. Eu tinha diários, e neles escrevia orações, neles conseguia mostrar quem realmente era eu para Jesus. Eu pedia constantemente para que Deus me libertasse de tudo aquilo que me fazia sofrer, que me fazia ficar distante dEle, que impedia dEle trabalhar na minha vida. Lendo hoje aqueles textos, comprovei mais uma vez que Deus se importa de verdade conosco, que quer nos curar, nos libertar, nos salvar, pois Ele respondeu todas aquelas minhas singelas palavras. Muitas vezes achamos que Deus está ocupado cuidado de outra pessoa, que talvez tenha um problema maior que o nosso, mas é aí que nos enganamos, Ele está atento a tudo e a todos! Deus é um pai presente que deseja realizar todos os nossos anseios e sonhos. Não existe problema pequeno ou menor pra Ele, problema é problema, e Ele ama resolver os nossos. Então, seja o que for, fale com Ele, conte tudo pra Ele, deixe nas mãos dEle, descansa que Ele vai resolver por você!

Quando dei meu primeiro passo expondo pra Ele minhas dores, minhas tristezas, confessando que queria ajuda dEle, tudo foi melhorando aos poucos. Porque nem tudo é resolvido, transfomado no piscar de olhos, há muitas vezes, um processo, um deserto. Estar hoje onde estou me custou trilhar muitos caminhos, quebrar muito a cara, sofrer pra aprender. Depois do pedido a Ele, Jesus poderia mudar tudo na minha vida na velocidade de um flash, porém, nem tudo é tão fácil, afinal, o fácil demais não vale muito a pena, não tem muita graça. Viver com Jesus é assim, é aprender a confiar em meio ao caos, é ter fé sem ver. Há renúncias, sacrifícios, espera, paciência. Mas somos recompensados da melhor forma. Tudo que conquistei hoje, tudo que sou hoje foi dando um passo de cada vez, e aí tudo foi se modificando na minha vida. Não foi da hora pra outra, houve um grande processo (como vocês leram). Eu mudei quando conheci Jesus de verdade, quando me conheci de verdade, quando obtivi um relacionamento sincero com Ele, quando orei mais, quando li a palavra mais, quando entendi que as dores ensinam, que o deserto é uma escola e Ele é o professor, o provedor, o libertador. Entendi que Jesus me amou tanto que fez dar errado aquele processo de aborto, simplesmente por me amar, se deu naquela cruz por me amar. Sempre foi o amor, Ele é o Amor. 

Com meus 17/18 anos comprovei que sim, sou linda, dessa minha forma tão nada a ver do padrão que é tão nítido da nossa sociedade, e é por isso que me sinto mais incrível. Prefiro ser diferente, ser apenas eu, ser única. Sei que sou uma menina incrível, de coração bom e que sempre irá lutar até o fim pelo que acredito. Eu consegui amar até os defeitos que eu achava que eram, aprendi que se eu não tivesse esse nariz e todos as outras partes do meu corpo que eu odiava, eu não seria eu, eu sou linda com tudo isso que sou. Compreendi que meu corpo é lindo, que sou uma linda menina mulher. Cada mulher tem sua beleza e eu obtive sucesso ao ver a minha em mim. Hoje me amo por completa, amo tudo que sou, tudo que me tornei. Já faz alguns anos que finalmente consegui me ver amada, linda e especial. Captei que não precisava de menino nenhum, e nem de ninguém pra me sentir assim, quando alcancei a conclusão que eu precisava primeiro me amar pra depois amar alguém, tudo ficou mais claro, mais fácil. Não precisava de ninguém pra me provar o quanto eu era querida, Deus já me mostrava isso todos os dias, eu que não estava enchergando. E sei que quem me amar, vai me amar do jeitinho que sou. 

Quando tirei muitas coisas banais que eram prioridades da minha vida, tudo melhorou, quando troquei palavras negativas por positivas, tudo foi se modificando aos poucos, quando tirei a importância de muitas coisas sem sentido da minha vida, tudo floresceu. Em Jesus encontrei um pai, um verdadeiro amigo, encontrei amor, paz, felicidade e mais nada me falta. Ele é o suficiente pra mim. Muitos me olham e acham muita coisa, mas tudo o que eles pensam sobre mim não vai mudar o Deus acha sobre mim, o que sou, nem o que acho sobre mim, hoje não mais. Sei que nem todo mundo vai ver beleza em mim, todo mundo tem esse direito, o que antes pra mim era duro pra aceitar, hoje não me importo com isso, e sim, que eu sempre irei me achar maravilhasa e pronto, basta pra mim. Nenhuma palavra irá mudar o que acho de mim, nada e nem ninguém irá me convencer o contrário do que acho de mim. Hoje eu sei o valor que tenho, o que mereço, e eu mereço o melhor. 

Muitos acham que sou metida ou já acharam isso, quando na verdade, sou uma menina doidinha que ama ajudar, conversar e fazer amizades. Odeio julgar, sou empática, e tento ser justa com todos. Sou muito verdadeira com o que sinto e pelo o que acredito. Talvez me achar demais, e expor isso sem preocupações para muitos é sinônimo de egocêntrismo. Me amar demais, me arrumar demais é sinônimo de metidez, e não, não tem nada a ver. Já sofri muito me odiando, porque eu não iria querer expor agora o quanto me amo e o quanto me acho linda? A minha luta foi longa demais para eu não querer divulgar a minha vitória em forma de amor próprio. Pois é fácil julgar quando se não sabe a história, o procedimento que houve por trás de tudo. Só eu e Deus sabemos o quanto foi duro a luta de estar onde estou. Então sim, vou sempre me orgulhar de tudo que enfrentei pra estar bem de verdade hoje.

O que era sacrifício pra mim tirar fotos, hoje é um prazer, não aguento ver uma câmera ligada. Todos as milhões de fotos que tiro é como um lembrete pra mim que é possível se amar independente de tudo. É um grande feito pra mim amar tanto me fotografar, amar tudo que consiste eu. O amor próprio muda tudo, a confiança que temos em nós mesmos faz toda diferença. Eu mudei completamente, e hoje, sei exatamente o que quero, o que realmente mereço, sei do que realmente sou capaz. Já superei muita coisa nessa vida, e esse testemunho é uma superação pra mim, não é para que as pessoas sintam pena de mim, mas que se inspirem, que vejam que Jesus cura, que se você quiser, Ele pode te transformar, e que sim, você pode se amar, pode acreditar em si mesmo. Você só precisa dar o primeiro passo, tudo começa de você, somente de Você. Deus só transforma alguém quando esse alguém dá permissão, deixa Ele agir. 

Permita se amar, veja o melhor em você. Não dependa de ninguém pra ser feliz, pra se convencer que é linda, que é importante. Não acredite nas palavras negativas, acredite que você pode tudo. Você é amado, é querido, é especial. Você é capaz. Se ame, se ache mesmo, se você não se achar, quem vai por você? Seja você. Seja amor. 

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